segunda-feira, junho 05, 2006

Correspondência...

Não resisti a plagiar um texto com que tanto me identifiquei desde a primeira frase (peço desculpa à autora e à Lara IndianaBodiana...) Afinal de contas, este lugar não pode ser apenas o registo de jantares, festas, passeios, praias e trabalho...

O amor e a sua correspondência

A banalização do telemóvel criou a ilusão do objecto omnipresente. Numa posição de omnipresença, um objecto de paixão passou a ter a "obrigação" da resposta imediata a qualquer estímulo, sob pena de provocar o sofrimento do outro.A angústia da perda passou a estar associada a trivialidades - pode acontecer, vertiginosa, quando se esgotou uma bateria; ocorre quando o amor se passeia displicente em lugares sem rede; e pode disparar a níveis clínicos quando o objecto amoroso, usando um direito inalienável de autodeterminação, decide desligar o telemóvel. No amor, o telemóvel fez disparar o stress, a ansiedade, as angústias da rejeição e outras malaises de la civilisation. Um telemóvel desligado é uma providência cautelar para uma ruptura. Um presumível sintoma de infidelidade. Um fechar com a porta na cara. Um não, uma nega, uma tampa. O telemóvel é caro, mas o amor tende a minimizar o impacto económico das medidas a que, no auge da paixão, recorre. E depois há as sms, esse deslumbrante e mais económico instrumento de sedução, mas - também ele - uma grilheta dos amantes. Os segundos de resposta, os minutos, as horas, tudo é contabilizado para avaliar o impacto de um amor. O mail tem um tempo mais distendido, se excluirmos as pessoas cuja profissão as obriga a estar permanentemente em frente do computador. Estas são ainda fustigadas com o monstro do messenger, que, de borla, obriga ao diálogo contínuo.Mas a minha amiga Vanessa, que num estado de paixão patético tem passado o último mês a escrever mails ridículos, sms ridículas e a contar os segundos da resposta, teve um destes dias um inesperado e surpreendente ataque de felicidade amoroso: recebeu uma carta. Um postal dos correios. Um envelope com selo e tudo. Quando abriu a caixa e viu que não eram só contas, ia desfalecendo. Uma carta. Uma carta? Sim, só um grande amor.

In DN, por Ana Sá Lopes, "Diário de Vanessa"

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

parece-me é q t tas a tentar desculpar.... :)) a tua maezinha mt xora pelo zezinho que nao lhe responde as msgs... e da isabel ja nem falo, nem parece a mesma... :P

8:22 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

parece-me que te tas é a tentar desculpar... ja ninguem aguenta os choros da cidó... "ai o meu zezinho que não me diz nada, não responde as sms nem atende o tm..." ... da isabel ja nem falo... :)

11:04 p.m.  
Blogger Zé Rui Peixoto said...

Ah pah... cala-te... Tou farto de lhes escrever cartas!Carta?Carta... Cartas são só para os grandes amores!

4:27 p.m.  

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